Todos os dias, algures, alguém está a cortar legumes, a acender o fogão e a temperar os pratos. É algo tão natural que quase nunca nos paramos para pensar nisso.
Para saciar a fome. Para sustentar a família. Para manter a saúde. Todas estas razões são válidas, mas, ao observar atentamente o que se passa na cozinha, sinto que não se resume apenas a isso.
Parece que cozinhar não se resume apenas ao tempo dedicado a preparar uma refeição. Entre aqueles que trabalham com as mãos, nas relações entre as pessoas e no contexto de cada região e época, há algo mais que se move silenciosamente.
Trabalhei durante muito tempo na área da culinária. Isso significa que passei a maior parte da minha vida ligado à gastronomia.
Com o passar do tempo, uma questão foi-se tornando cada vez mais difícil de tirar da cabeça.
O que é, na verdade, cozinhar?
Porque é que, neste momento, quero confirmar isso? Porque as oportunidades de cozinhar têm vindo a diminuir discretamente.
Não é preciso cozinhar para comer. Não é preciso escolher para receber. Não é preciso decidir para que se decida.
É uma bênção poder desfrutar de mais comodidades. Eu próprio vivo a aproveitar esses benefícios. No entanto, agora que já não precisamos de cozinhar, será que não estaremos a abrir mão, juntamente com a cozinha, de algo importante?
Além disso, tenho a sensação de que isso não está a desaparecer simplesmente porque já não serve para nada. Pelo contrário, aquilo de que mais precisaremos na era que se avizinha está a desaparecer silenciosamente, antes mesmo de nos apercebermos da sua importância.
Se for esse o caso, temos de averiguar o que é isso antes que desapareça.
O que é, afinal, cozinhar? Quando os dias em que não cozinhamos vão aumentando, o que é que perdemos?
Enquanto nutricionista, tive a oportunidade de acompanhar muitas pessoas a cozinhar, quer através de aulas de culinária, quer no âmbito do desenvolvimento de produtos. Tanto crianças como adultos.
Com o tempo, apercebi-me de uma coisa. Se havia algo a crescer na cozinha, parecia que não era algo que eu tivesse trazido. Era algo que já lá estava desde o início.
Por isso, o que vou escrever a seguir não é nada de novo. Trata-se de algo que já acontece diariamente na cozinha.
Pensei em registar por escrito o que vi enquanto estava junto à cozinha, antes que se esborratasse da memória.
※ Note-se que, para evitar a identificação das pessoas que aparecem neste livro, estas são referidas por iniciais diferentes das reais.
TERUMI ISHIBASHI
FARM8 co.ltd.,
Próximo capítulo: «O poder do futuro cultivado pela culinária» Capítulo 1: Até à próxima